O filme “ O Ponto de Mutação” traz à tona um tema de extrema importância para a humanidade: a necessidade de uma nova visão de mundo, diante de uma crise de percepção do mundo atual. Traz reflexão sobre as bases da nossa existência e da integração entre o pensamento e as ações humanas no contexto do desenvolvimento, na busca de um progresso equilibrado e sustentável.

Inicialmente, os comentários dos três personagens sobre diversos assuntos – política, ecologia, tecnologia e futuro da humanidade – nos conduz ao século XVII, fazendo-nos refletir sobre o pensamento cartesiano, que enxerga o mundo como uma máquina e que, para entender o todo, basta desmontá-lo e estudar suas partes isoladamente (metáfora do relógio). Na época, esse pensamento tomou conta da ciência, da arte e da política. Mas enquanto a ciência avança, deixando para trás esse pensamento, a política – e consequentemente a educação – ainda permanece nessa visão mecanicista difundida por Descartes e reforçada pelas leis de Newton.

Enxergar somente as partes, e não o todo, é um equívoco. Pensar que se pode compreender o mundo estudando suas partes isoladamente nos fez chegar a uma crise de percepção do mundo. Essa crise fez com que a humanidade passasse a pensar em seus problemas isolados e não conseguir perceber que fazem parte de um todo: o universo. Embora seja imprescindível conhecer as partes, é preciso que o mundo seja pensado como processos e não como estruturas. É necessário ter uma visão sistêmica do mundo, centrada nas conexões entre as partes do todo. Não se deve olhar para os problemas globais tentando solucioná-los separadamente. Devemos entender as conexões entre eles para depois resolver os problemas.

No mundo moderno, as pessoas se acostumaram a receber conhecimento e informação prontos, no conforto de seus lares e em suas nacionalidades, e pouco pensam que todas as criações e descobertas feitas pelo homem devem ser moldadas, revistas; que somos todos parte de uma imensa teia de relações; que é nossa responsabilidade perceber e prever as possibilidades do futuro; que, antes de tudo, somos os únicos responsáveis por nossos atos e pelos reflexos dos mesmos no universo no qual estamos inseridos.

Se faz necessário uma nova visão de mundo, uma mudança de paradigma, um pensamento que veja o mundo como um todo e, antes de fracioná-lo, entenda sua conexão, sua interatividade, sua integração, sua unidade, seu caráter cíclico, sua continuidade, sua renovação.

Essa nova maneira de ver o mundo tem implicações na educação.

Precisamos pensar com maior relevância a mediação do conhecimento diante de todas as descobertas que nos são impostas e que modificam nosso modo de agir na sociedade, que é parte de uma nação, que é parte de um continente, e tudo está interligado a um sistema maior, que é a humanidade.

A visão sistêmica deve ser integrada à educação. Passamos anos na escola recebendo conhecimento fragmentado em matérias, mas não somos treinados para sermos capazes de reunir esse conhecimento, analisá-lo e chegar a conclusões a respeito desses conceitos. É necessário que as redes de ensino hajam de forma interdisciplinar, sendo trabalhadas como uma teia ligada a diferentes disciplinas, a fim de estudar um fenômeno. Por exemplo, tratar um problema como o da poluição de um córrego e desenvolver os conhecimentos – matemáticos, a língua portuguesa, a história, a geografia, os diversos conteúdos de ciência, as atividades de artes – com o objetivo de levar aos alunos a consciência das causas da poluição; a conhecer a história da ocupação daquele local pelo ser humano; a buscar o conhecimento de todos os agentes sociais envolvidos no problema e suas responsabilidades sociais e éticas; a avaliar as consequências para a saúde das pessoas e para o meio ambiente; a procurar caminhos sociais e políticos para a resolução do problema e para a melhoria da qualidade de vida etc[1].

Aderir a um novo paradigma na forma de pensar os conhecimentos (mostrando a inter-relação entre as disciplinas, por exemplo) é o caminho para compreender o mundo de forma correta. Somente dessa maneira é que conseguiremos entender e solucionar os problemas do mundo atual e viver uma vida saudável e plena.


[1] Exemplo retirado de ARAÚJO, U.F.; PUIG, J.M.; ARANTES, V.A. (Org). Educação e valores: pontos e contrapontos. São Paulo: Summus, 2007, p. 39.

Publicado por: Roger | 05/06/2010

A questão do gênero na escola (Seminários)

Aula 13

Leitura básica: MORENO, M.M. Como se ensina a ser menina: o Sexismo na escola. São Paulo: Moderna, 1999.

Mais dois grupos se apresentaram:

Grupo 1 (nosso grupo): A QUESTÃO DA CIDADANIA NA ESCOLA EM RELAÇÃO AOS ALUNOS LGBT.

Iniciamos nossa apresentação com a Introdução,  partindo da legislação voltada para o tema. Apresentamos nosso quadro teórico e nos aprofundamos em dois dos textos escolhidos. Em seguida, explicamos como se deu nosso plano de investigação, a análise dos dados que obtivemos com os questionários abertos e com a observação dos alunos. Depois de comentar os resultados, apresentamos a conclusão a que chegamos e as hipóteses que levantamos para justificar essa conclusão.

Grupo 2: As profissões e o gênero na educação

Apesar de ter escolhido um tema bastante interessante, o segundo grupo não teve uma boa apresentação. Conforme comentou a professora, quando apresentavam os resultados, confundia-se o que era especulação e o que era análise com base teórica. Infelizmente a apresentação esticou-se muito, obrigando a professora a interromper a parte da análise dos dados e fazer o grupo concluir a apresentação com a conclusão.

Considerações:

Chegamos ao final do semestre.

O trabalho que realizamos em grupo foi um dos mais interessantes que já fiz. O tema sempre me despertou interesse e esta disciplina me possibilitou, juntamente com o grupo, explorá-lo e fazer dele um trabalho acadêmico.

Estudar temas relacionados à Psicologia só fez despertar vontade em refletir sobre temas da Educação. Confesso que, no início do programa de Licenciatura, a área da Educação não me despertava muito interesse. Com o passar das disciplinas, esse interesse surgiu e foi crescendo. E em “Práticas Escolares, Diversidade, Subjetividade” me encontro totalmente interessado em estudar e refletir sobre a Educação em todas as suas áreas.

Aula 12

Leitura básica: AMARAL, L.A. Diferenças, estigma e preconceito: o desafio da inclusão. In: OLIVEIRA et al (org). Psicologia, Educação e as temáticas da vida contemporânea. São Paulo: Moderna, 2002, p. 233-248.

Terceira aula de seminários.

Mais dois grupos se apresentaram:

Grupo 1: Exclusão, preconceito e discriminação

- Conceito de inclusão

- Apresentação do quadro teórico

- Inclusão como ponto de partida para a pesquisa do grupo

- Igualdade e diferença

- Estigma

- Objetivo: como se constrói o preconceito na escola?

- Análise dos dados obtidos nas 2 escolas (uma com deficientes auditivos e mentais)

- Conclusão: o preconceito é sempre associado ao outro, nunca a si mesmo.

Grupo 2: Preconceito, estigma e diferenças

- Objetivo: identificar a opinião de alunos a respeito da discriminação e do preconceito baseados em estereótipos e a prática da estigmatização

- Apresentação do quadro teórico

- Conceitos: estereótipo, estigma, preconceito, raça, racismo, discriminação

- Metodologia e apresentação dos resultados

Considerações:

A apresentações foram boas, porém, me identifiquei mais com o primeiro grupo. Gostei particularmente da discussão sobre: a ilusão de homogeneidade, de que todos os alunos devem ser tratados como iguais; de que deve-se adotar a diferença como parâmetro, e não a igualdade, na educação e sobre a percepção que o grupo teve em relação à socialibidade entre os alunos deficientes e os não-deficientes, que ela tem limites, não é irrestrita.

Publicado por: Roger | 31/05/2010

O fracasso na escola (Seminários)

Aula 11

Leitura básica: SAWAYA, S.M. Novas perspectivas sobre o sucesso e o fracasso escolar. In: OLIVEIRA et al. Psicologia, Educação e as temáticas da vida contemporânea. São Paulo: Moderna, 2002, p.197-213.

Segunda aula de seminários.

Dois grupos de apresentaram:

Grupo 1: O fracasso escolar na alfabetização

Tópicos abordados:

-Conceito de alfabetização/alfabetizado

-Conceito de letramento

-Fases do desenvolvimento cognitivo, de Piaget

-Estágios de leitura e de escrita

-A visão dos professores sobre o fracasso das crianças

-Teorias sobre o fracasso (da privação ou carência cultural e reprodutivista)

-Objetivo: verificar porque alguns alunos aprendem e outros não.

-Análise dos dados

-Conclusão: é a singularidade do aluno que determina o método. Os fatores extraescolares são apenas contribuintes.

Grupo 2

Tópicos abordados:

-Teorias sobre o fracasso escolar

-Livro-base para pesquisa: “Professor-refém” (em que os professores indicam problemas causadores do fracasso)

-Objetivo: identificar o que os professores apontam como causa(s) do fracasso escolar

-Metodologia: entrevista com 8 professores da rede pública

-Resultados obtidos: 4 respostas (falta de competência do aluno, carência cultural, diferença cultural e mecanismos escolares causadores de dificuldades de aprendizado)

-Conclusão: os professores estão defasados, pois, em sua maioria, acham que a explicação para o fracasso escolar é, principalmente, a teoria da carência cultural.

Comentários da professora:

Possíveis explicações para o fracasso escolar:

a) Há uma distância entre a teoria e prática dos professores que, para ser dirimida, deve-se repensar:

-o próprio curso de Pedagogia

-a parceria entre universidade e escola

-o formato dos cursos de formação de professores

b) O processo de democratização da Educação:

- a grande quantidades de alunos que ingressam na escola atualmente

- a ética docente.

Considerações:

Diferentemente da aula passada, os grupos de hoje tiveram boas apresentações, deixando claro seus objetos de pesquisa, metodologia aplicada, resultados obtidos e conclusões atingidas. Só senti falta de um título à apresentação do segundo grupo, mas isso não comprometeu a boa apresentação.

Publicado por: Roger | 31/05/2010

Indisciplina e violência na escola (Seminários)

Aula 10

Leitura básica: ARAÚJO, U.F. Disciplina, Indisciplina e a complexidade do cotidiano escolar. In: OLIVEIRA et al. Psicologia, Educação e as temáticas da vida contemporânea. São Paulo: Moderna, 2002, p.215-232.

SCHILLING, F. A sociedade da insegurança e a violência na escola. São Paulo: Moderna, 2004.

Primeira aula de seminários.

Dois grupos se apresentaram:

Grupo 1: Indisciplina e desempenho escolar

Tópicos abordados:

-Definição de disciplina (ordem)

-Definição de indisciplina (rebelião, contrariar regras)

-Recomendações disciplinares (1922)

-Perspectiva atual

-Indisciplina e vergonha

-Objetivo: verificar se há correlação entre indisciplina e desempenho escolar

-Metodologia de pesquisa e resultados

-Discussão: o grupo levantou hipóteses para explicar o fato de não coincidir a indisciplina com o mau desempenho escolar.

Grupo 2:  Indisciplina Escolar – Questionamentos e Reflexões

Tópicos abordados:

-Contraste entre escola pública e particular, em relação à indisciplina

-Metodologia de pesquisa e Pressupostos Teóricos

-Discurso X Prática

Considerações:

O primeiro grupo teve uma boa apresentação, apresentando o objetivo, a metodologia de trabalho, os resultados obtidos e a conclusão a que chegaram. Aliás, foi interessantíssimo discutir o fato de a indisciplina não estar diretamente associada ao desempenho escolar.

Já o segundo grupo não teve uma boa apresentação. Não ficou claro o objetivo do trabalho, os resultados obtidos e a conclusão a que chegaram. Não pude tirar muito proveito do conteúdo passado pelo grupo.

Publicado por: Roger | 12/05/2010

A construção de valores e a dimensão afetiva

Aula 8

Leitura básica: ARAÚJO, U.F.; PUIG, J.M.; ARANTES, V.A. Educação e Valores: Pontos e Contrapontos. São Paulo: Summus, 2007.

Nessa aula, a professora discutiu questões como “por que assumimos que os valores fazem parte da dimensão afetiva?” e “como uma pessoa constrói valor?”, entre outras.

Para que pudéssemos responder a questões como essas e entender melhor o mecanismo da construção de valores, a professora retomou o conceito de sujeito psicológico.


As 4 dimensões do sujeito psicológico:

- cognitiva

- biológica

- sociológica

- afetiva

Valores

Referem-se a trocas afetivas.

Não são inatos, são construídos. Uma pessoa não passa valor a outra.

Nem sempre é um valor moral.

“Os valores surgem da projeção de sentimento positivo sobre pessoas ou objetos” (Piaget).

“…sobre relações e sobre si mesmo” (Puig).

(contra-valor: projeção de sentimento negativo)

Construção de sistema de valores

A construção do sistema de valores se dá a partir das projeções de sentimentos, feitas a partir das trocas.

Exemplo de projeção: um bebê que é superprotegido e acolhido por sua mãe provavelmente vai projetar sentimentos positivos sobre a mãe.

Como identificar o que é valor para uma pessoa?

É possível identificar se algo é valor pra uma pessoa quando, se essa pessoa fere ou descumpre esse “algo”, ela se sente culpada, com vergonha ou angustiada. Esses sentimentos morais indicam que se trata de um valor.

Ex: Pontualidade: Uma pessoa que tem a pontualidade como valor, certamente vai se sentir culpada, com vergonha ou angustiada se estiver atrasada para um compromisso.

Valor central e valor periférico

Exemplo 1: honestidade:

Se uma que tem a honestidade como valor central tem uma dívida, mesmo que seja de alguns centavos, em algum loja, ela certamente vai se sentir mal enquanto não quitar a pequena dívida.

Uma pessoa que tem a honestidade como valor periférico pode, por exemplo, se comportar de maneira totalmente honesta com os amigos, mas de maneira não totalmente honesta na declaração do imposto de renda.

Exemplo 2: beleza física:

Para uma pessoa que tem a beleza física como valor central, a aparência é fundamental. Para essa pessoa, é imprescindível estar sempre bem arrumado. Já para uma pessoa que tem a beleza física como valor periférico, é possível que ela cuide mais de sua aparência para ir a uma festa, mas não se preocupe tanto com isso se for à padaria ou ao mercado.

No caso de valor periférico, a importância dada ao valor depende do conteúdo.


Reconstrução do sistema de valores

É possível que o sistema de valores seja reconstruído. Valores centrais podem se tornar periféricos.

Ex. 1: Para um pai que tem a virgindade como valor central, descobrir que a filha solteira está grávida é motivo de indignação. Porém, após o nascimento do neto, seu comportamento muda, como se o neto fosse tornando valor central, ou seja, a afeição pelo neto torna-se maior que o valor da virgindade.

Ex. 2: Uma pessoa com câncer (ou até mesmo um parente de uma pessoa com câncer) pode mudar seu sistema de valores durante a convivência com a doença, tornando periféricos valores que antes eram centrais e vice-versa.

Os valores e os sentimentos morais

Os valores motivam a conduta do sujeito. Dependendo dos valores com os quais o sujeito construiu sua identidade, determinados sentimentos morais surgirão em detrimento de outros, ou seja, os sentimentos morais emergem dos valores que a pessoa construiu.

Sentimentos morais como culpa e vergonha exercem papel de regulador das relações intra e interpessoais e são experienciados quando o sujeito age contra os valores que são centrais em sua identidade.

Na Educação

Que valores devem ser ensinados na escola? São os valores éticos.

Declaração dos Direitos Humanos: conceito de valores universais.

Falta as escolas investirem em dimensões da educação moral, como auto-estima e auto-conhecimento.

Relações interpessoais

O ideal é que elas sejam baseadas em princípios como a democracia e responsabilidade. É preciso construir relações que se assentem sobre as bases da democracia e do respeito mútuo. Tais objetivos podem ser atingidos por meio de assembleias.

Projetos e a Dimensão Afetiva

É preciso falar sobre sentimentos nas escolas, tratar de conflitos interpessoais e trabalhar a Educação Moral a partir desses conflitos, que são inerentes ao ser humano. Os conflitos devem ser encarados como objeto de conhecimento. É preciso aprender a lidar com os sentimentos e valores, assim como se aprende Matemática e Biologia. É necessário adotar os sentimentos e valores como objeto de estudo e dar a eles o mesmo status dos demais conteúdos ensinados. Ter consciência dos sentimentos e valores é um caminho para desenvolver juízo, sensibilidade e conduta de ideias e valores, bem como para se ter um maior conhecimento de si e dos demais com quem conversamos.

*  *  *

No final da aula, a professora apresentou um vídeo sobre assembleias escolares.

Considerações:

Essa aula teve especial importância para mim. Sempre tive grande interesse sobre questões relativas ao conceito de valor. Desta forma, aprender sobre construção de valores e a (necessidade da) aplicabilidade na educação foi extremamente gratificante. Ao fim da aula, decidi abordar esse assunto na dissertação final.

Aula 7

Leitura básica: MORENO et al. Conhecimento e mudança: os modelos organizadores na construção do conhecimento. São Paulo: Moderna, 1999, p. 73-102; 357-383.

Para introduzir o conteúdo da aula, a professora leu relatos de um casal de namorados (Maria e Antonio) separadamente, primeiro o da moça e depois o do rapaz. Observamos que a organização do pensamento sobre a mesma situação foi feita de forma completamente diferente pela moça e pelo rapaz.

Em seguida, a professora nos explicou a Teoria dos Modelos Organizadores do Pensamento.

A professora esclareceu que essa teoria tem base na teoria de Piaget e os modelos mentais.

A teoria dos Modelos Organizadores do Pensamento tem como um dos objetivos responder à uma questão norteadora: como representamos o mundo?

Somente a teoria de Piaget sobre as estruturas mentais não são suficientes para nos esclarecer essa questão.

O que são os Modelos Organizadores?

Um conjunto de representações realizado a partir de uma determinada situação. Constituem aquilo que é tido por cada sujeito como a “realidade” (eu considero real aquilo que eu acho que é real).

No caso do casal de namorados, um já significou a conduta do outro, ou seja, a moça assumiu como conduta real do rapaz aquilo que ela considerava como a real conduta dele, e vice-versa.

Características dos Modelos (1)

- Um modelo organizador é um sistema organizado

Isso significa que ele tem lógica interna.

No caso do casal de namorados: o comportamento de Maria tem coerência interna lógica que, se não tivéssemos ouvido o relato de Antônio, acreditaríamos que ele não é um bom namorado.

- Nem todos os elementos de um fenômeno ou situação observável estão presentes no correspondente modelo organizador do sujeito, já que este seleciona somente aqueles que considera significativos

A mente humana processa informaçoes de modo diferente de um computador. Nem todos os elementos que se apresentam na situação são selecionados para a construção da realidade.

- Os elementos que não são outorgados pelo sujeito não estão configurados no modelo

Alguns elementos não são significativos para a construção do modelo, ou seja, o sujeito considera alguns elementos não significativos.

Características dos Modelos (2)

- Diante da mesma situação, diferentes sujeitos podem reter, como significativos, diferentes elementos

As pessoas vêem e abstraem coisas diferentes de uma mesma situação (“ver com outros olhos”).

Ex: obras de arte são vistas de maneira diferente por um especialista em arte e por um leigo. Quem acredita em reencarnação significa o mundo de forma diferente de quem não acredita.

- Um mesmo elemento pode ter diferentes interpretações (significados) para diferentes sujeitos ou para um mesmo sujeito em momentos diferentes, em função dos demais elementos considerados

É a ressignificação: uma pessoa ressignifica o mundo (ou situações) depois de um acontecimento como, por exemplo, a morte de um parente próximo.

Características dos Modelos (3)

- Na seleção de elementos, intervêm fatores de origem cognitiva e emocional

As emoções representam um papel importante na significação do mundo ou de uma situação. Ex: como uma pessoa mau-humorada vê o mundo? E uma pessoa de bom humor?

A seleção dos elementos tem a ver com diversos fatores, como os de origem emocional e a experiência de vida.

Características dos Modelos (4)

- Assim como nem todos os elementos observados estão presentes no modelo, nem todos os elementos presentes no modelo figuram entre os observáveis

Há inserção de elementos que não aconteceram. É o que se chama de produtos de inferência (não têm referência). Para manter a lógica do modelo, inventa-se um elemento.

Características dos Modelos (5)

- A organização do modelo está na estreita interação com o tipo de elementos selecionados, com seu significado e suas implicações

A organizaçao pode ser de caráter operatório (de estrutura lógico-matemática) ou não.

Considerações:

Achei bastante interessante os relatos dos namorados. Além de uma atividade divertira, serviu para que nós percebêssemos como, de fato, a construçao dos modelos organizadores do pensamento é algo bastante subjetivo e individual.

A teoria dos Modelos Organizadoes do Pensamento é no mínimo intrigante. A cada característica que a professora mostrava, mais me identificava com a teoria e mais a julgava pertinente. A maneira como vejo o mundo e o modo como organizo meu pensamento passaram a ter novas implicações, novos olhares.

Publicado por: Roger | 11/04/2010

O progresso e a metáfora do desenvolvimento

Aula 6

Leitura básica: LEWIS, Michael. O progresso e a metáfora do desenvolvimento. In: Alterando o destino: por que o passado não prediz o futuro. São Paulo: Moderna e Unicamp, 1999, p. 105-118.

  • Primeira parte da aula:

Exercício em duplas: escolher um trecho ou diálogo do filme “Ponto de Mutação” e discutir que questões educacionais podem ser aplicadas ao trecho escolhido.

Eu e minha colega Nathaly escolhemos o trecho em que a cientista cita Descartes e sua visão mecanicista do mundo. Segundo o arquiteto, o mundo pode ser visto como um grande relógio. A cientista comenta que essa visão mecanicista tomou conta das artes, da ciência, da economia… do mundo em geral. Segundo a cientista, se faz necessária uma nova visão de mundo.

Para nós, essa visão mecanicista do mundo também tomou conta da Educaçao. O ensino, hoje, na maioria das escolas, é desenvolvido para direcionar o aluno ao futuro profissional ou para a faculdade. Consideramos que se faz necessário uma nova maneira de ensinar, uma maneira que vise o crescimento intelectual do aluno, que desenvolva seu poder de crítica e que incentive o interesse pela cultura. Não que o ensino de hoje não tenha essas características, mas parece que elas vêm diminuindo cada vez mais.

  • Segunda parte da aula

Os alunos abriram um roda e a professora iniciou uma plenária, em que cada dupla comentou sobre seus textos. Fomos a primeira dupla a falar.

Depois que todas as duplas fizeram suas explanações, a professora fez suas considerações, com base no texto de Michael Lewis, que trata do progresso e da metáfora do desenvolvimento.

Considerações:

A discussão foi riquíssima, os alunos participaram ativamente e as considerações da professora foram engrandecedoras. Está cada vez mais prazeroso discutir questões educacionais.

Publicado por: Roger | 22/03/2010

Preparação das atividades de estágio

Aula 4

Nosso grupo se reuniu, pela primeira vez.

Dentro da temática “A questão do gênero na educação”, nosso grupo decidiu por abordar, a princípio, a seguinte questão: Como são tratadas as questões da cidadania na escola em relação ao segmento LGBT?

Já identificamos autores e textos a serem consultados, bem como a necessidade de consultar a legislação voltada à Educação para iniciar nossa pesquisa.

Estamos ansiosos!

Publicado por: Roger | 15/03/2010

Dimensões constitutivas do sujeito psicológico

Aula 3

Leitura básica: ARAUJO, U. F. O déficit cognitivo e a realidade brasileira. IN: AQUINO, J. G. Diferenças e preconceito na escola: Alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1998. p. 31-47.

  • Primeira parte da aula:

Estudo das estruturas mentais - PIAGET

Segundo Piaget, existem 3 tipos de estruturas no nosso corpo humano:

1º tipo – estruturas totalmente programadas (ex: cor dos olhos)

2º tipo – estruturas parcialmente programadas (ex: estrutura muscular)

3º tipo – estruturas nada programadas (ex: ESTRUTURAS MENTAIS. Essas estruturas são CONSTRUÍDAS).

Para Piaget, a inteligência é essencialmente uma ORGANIZAÇÃO cuja função é estruturar o universo tal como o sujeito estrutura seu meio.

Teoria dos 4 eixos – Piaget

- INTERACIONISMO: trocas (sujeito-meio)

- CONSTRUTIVISMO: o conhecimento é construído a partir das trocas

- ESTRUTURALISMO: estruturação das experiências vividas

- PRINCÍPIO GENÉTICO: processo, evolução (gênese)

Diferença entre Inteligência e Conhecimento (para Piaget):

Inteligência: solução de um problema pelo indivíduo

Pensamento: inteligência interiorizada

Os 4 estágios das estruturas mentais:

1) Período SENSÓRIO-MOTOR (entre 0 e 2 anos, em média)

    – sentidos e movimentos

    – precede a linguagem e o pensamento

    – noção de objeto permanente

2) Período PRÉ-OPERATÓRIO (entre 2 e 7 anos, em média)

    – linguagem

    – capacidade de simbolização

    – pensamento

    – não é capaz de fazer operações (ex: reversibilidade)

3) Período de OPERAÇÕES CONCRETAS (entre 7 e 12 anos, em média)

    – capacidade de coordenar operações concretas no nível da reversibilidade

4) Período de OPERAÇÕES FORMAIS (a partir dos 12 anos, em média)

    – capacidade de coordenar operações abstratas

    – notável na “crise da adolescência”

Para Piaget, os estágios são LINEARES, ou seja, não é possível pular etapas.

  •    Segunda parte da aula:

Exercício em duplas: Partindo do conceito de sujeito psicológico de Araujo, responder:

Como vocês enfrentariam os problemas de aprendizagem na instituição escolar? Por quê?

Nossa resposta: Partindo do pressuposto que o ser humano é constituído de vários elementos (conforme teoria do sujeito psicológico de Araujo), nós enfrentaríamos os problemas de aprendizagem considerando as particularidades de cada elemento. Por exemplo, a criança que apresenta dificuldade de aprendizagem, provavelmente está com problema em algum outro elemento, o que resulta em déficit cognitivo.

Como professores, daríamos maior relevância aos outros elementos para conseguir identificar e solucionar o problema e eliminar a defasagem de aprendizado.

Publicado por: Roger | 08/03/2010

A questão da inteligência

Aula 2

Leitura básica: MACEDO, L. A questão da inteligência: todos podem aprender? In: OLIVEIRA, et al (org). Psicologia, Educação e as temáticas da vida contemporânea. São Paulo: Moderna, 2002, p. 117-134.

Vídeo: Piaget on Piaget.

Exercício dos Líquidos

A professora iniciou a aula com um um exercício (o qual me fez ir à lousa) para mostrar nossa adaptação a um novo conhecimento. As discussões sobre água e óleo renderam boas discussões e consequentes reflexões.

Epistemologia

A professora introduziu o tema da aula utilizando o texto de Lino de Macedo e mostrou as diferenças e semelhanças entre Empirismo, Inatismo e Construtivismo.

EMPIRISMO

“água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”

Conhecimento passado por transmissão. É externo ao sujeito

Um professor empirista tem como características aulas-monólogos, expositivas e em silêncio.

Quem ensina não aprende e vice-versa.

Relações hierárquicas.

Sujeito <— Meio

Aluno   <— Professor

INATISMO

“pau que nasce torto, morre torto”

Oposto ao Empirismo.

Sujeito autossuficiente; já possui o conhecimento.

Bagagem hereditária.

Relações hierárquicas.

Sujeito —> Meio

Aluno   —> Professor

CONSTRUTIVISMO

Construção do conhecimento.

Transformação do objeto a partir da ação: experiência. Processo.

Relação dialética entre sujeito e meio: quem ensina aprende e vice-versa.

Sujeito <—> Meio

Aluno   <—> Professor

E, no fim da aula, a professora apresentou o vídeo “Piaget on Piaget”.

Considerações:

Confesso que, a princípio, os conceitos apresentados causaram certo impacto, certa confusão. No decorrer da aula, de acordo com a explicação da professora, os conceitos foram se definindo melhor e pude acompanhar a aula com mais interesse e aprendizado.

Publicado por: Roger | 25/02/2010

Primeiras impressões

Quarta-feira, 24/02.

Apresentação do curso: Práticas Escolares, Diversidade, Subjetividade.

Psicologia + Educação? Práticas escolares? Condutas individuais? Resolução de conflitos? Processo de democratização da escola? Estágio?

Novo curso, novos conceitos, novas dúvidas, novas impressões.

Em uma hora e meia de aula introdutória, fomos (os alunos) apresentados a uma nova disciplina e começamos a ser imersos num mundo que mistura Educação e Psicologia.

Um momento que me chamou bastante a atenção na aula foi quando a professora falou sobre valores (no sentido psicológico, claro).  Há quem dê muito valor ao dinheiro. Há quem dê muito valor à beleza física. E eu? Dou valor a quê? Quais são os meus valores?

Quais são os seus valores?

Como se dá a construção dos valores?

Infelizmente, esse assunto só será discutido na aula 8.

Enquanto isso, outros assuntos tão interessantes quanto esse serão abordados e discutidos.

Aguardo ansiosamente.

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